Nosso exercício de elaborar e conceituar uma linguagem própria nasceu da necessidade de organizar a nossa  experiência. Foi um caminho natural.  Gostamos de poetizar nossos procedimentos, ressignificar ou simplesmente atualizar o sentido de algumas palavras, já saturadas pelo tempo de uso, assim, as vezes se faz necessário criar ou encompridar uma palavra, ou emendar uma na outra, para que elas nos revelem sentidos outros, para que possamos desobstruir os sentidos e escutá-las de novo, como se fosse a primeira vez.


Assim, alguns conceitos ganharam corpo na experimentação da cena e apresentaram-se, sussurrados no ouvido, como o conceito do ator em trânsito: que é o ator-criador que transita pelas linguagens da narrativa, da música e da dança, que se relaciona com estas diferentes linguagens para tecer a sua teia dramatúrgica - resultante da integração de linguagens, que nasce da experiência de investigação e de criação da cena.

Palavra, música e dança compõem a teia dramatúrgica. A dramaturgia pode ser percebida como uma grande partitura musical ou como uma única coreografia. A dramaturgia é percebida como um organismo. Música é percebida como movimento. O movimento percebido como discurso. Palavra percebida como música. Respeitando as especificidades de cada uma das linguagens e integrando-as num mesmo pulso da cena, fazemos essa alquimia que o teatro nos possibilita.

Para além da criação de novos conceitos, interessa-nos realizar encontros.

Encontro: ‘eu com o outro’.


A experiência estética e ética que promovemos realiza-se no encontro com o público, que é convidado a cocriar e a atualizar com a gente a experiência teatral toda vez que presentificamos (inscrevemos no tempo e no espaço) cada uma das nossas peças. Aqui, não se trata de fazer um ‘teatro interativo’ em que necessariamente o público é convidado a falar, a opinar, a expor-se. Simplesmente consideramos a presença do público, reconhecendo que, como observadores, eles fazem parte e modificam a experiência que se realiza no momento presente.



Para deixar o encontro mais íntimo escolhemos realizá-lo em círculo ou semicírculo. Interessa-nos essa configuração formal - expressão maior da experiência coletiva - que nos permite ver uns aos outros, que nos coloca como iguais, que nos possibilita estabelecer uma relação mais próxima com o público.